Câncer Hepático, Uma das Doenças Hepáticas Mais Graves
Há uma grande necessidade médica por métodos confiáveis para o diagnóstico precoce e por novas opções de tratamento
O câncer hepático é o sexto tumor maligno mais comum no mundo e a terceira causa mais comum de mortes relacionadas ao câncer no mundo todo. Mais de 600.000 casos de câncer hepático são diagnosticados anualmente no mundo todo, e o número de novos casos continua a crescer. Os homens apresentam uma freqüência três vezes maior de serem afetados do que as mulheres. Existem grandes diferenças na distribuição geográfica da incidência do câncer hepático. Estima-se que bem mais da metade dos casos ocorre na China, com o Japão vindo em segundo lugar. A Europa tem um número três vezes maior de pacientes com câncer hepático do que os Estados Unidos. A forma mais comum do câncer hepático é o carcinoma hepatocelular (HCC [ou CHC]). Ele provoca aproximadamente 90% dos tumores de câncer primário no fígado.
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer hepático são as infecções crônicas com hepatite B e/ou hepatite C e cirrose hepática; esse último freqüentemente é associado com a hepatite, mas também é causado pelo abuso de álcool. Outros fatores de risco incluem obesidade (fígado gorduroso), diabetes, tabagismo, ingestão de anabólicos por um período longo e exposição longa a certas toxinas fúngicas (aflatoxinas).
As técnicas de imagens desempenham um papel fundamental no diagnóstico hepático
Na classificação diagnóstica das lesões hepáticas, faz-se uma distinção entre as lesões focais e as difusas. As lesões focais afetam uma área de contorno nítido. Elas incluem tumores benignos e malignos. Entre os tumores benignos mais importantes, temos os hemangiomas (estruturas com aspecto esponja cheias de sangue), cistos hepáticos, adenomas e hiperplasias nodulares focais. Os tumores malignos mais importantes são os carcinomas hepatocelulares e metástases de outros tumores primários, como câncer de cólon. As lesões difusas, por outro lado (por exemplo, fígado gorduroso, cirrose hepática), não mostram limites claros.
As várias lesões hepáticas são caracterizadas por diferentes estruturas morfológicas, que são tornadas visíveis de diferentes maneiras usando várias técnicas de exame por imagens. A alta precisão diagnóstica na detecção de leões hepáticas focais se baseia em um contraste distinto entre o tecido hepático (parênquima hepático) e as lesões focais.
São utilizadas três técnicas de exame por imagens no diagnóstico hepático: o ultra-som, a tomografia computadorizada (TC) e as imagens por ressonância magnética (IRM).
Ultra-som – Exame básico para uma visão geral rápida
O ultra-som geralmente é o primeiro exame empregado quando os resultados hepáticos são ambíguos. Como exame básico, a sonografia hepática é rápida, barata e amplamente disponível. O procedimento depende em muito da experiência do médico, e os resultados costumam ser difíceis de reproduzir. A TC e a IRM são mais informativos em termos de localização e caracterização das lesões hepáticas. O ultra-som também é usado para controlar biópsias e operações.
Tomografia computadorizada – Amplamente usada nos hospitais
A TC é um procedimento comumente usado em diagnósticos hepáticos e goza de ampla aceitação clínica. O contraste intrínseco em uma TC hepática é inferior àquele conseguido com a IRM porque é pequena a diferença de densidade entre o parênquima hepático e as lesões típicas. Portanto, o uso da TC para detectar lesões hepáticas focais exige um realce de contraste ideal. A taxa de lesões com falso-positivas é maior do que nos exames de IRM. Em especial, a IRM é melhor na detecção de lesões bastante pequenas. Uma desvantagem da TC é que os pacientes são expostos à radiação. Além disso, alguns pacientes apresentam reação alérgica aos meios de contraste com iodo utilizados.
IRM – A mais informativa no diagnóstico hepático
A IRM se estabeleceu como um método bastante eficaz de detecção, localização e caracterização das lesões hepáticas focais. Uma IRM hepática é o procedimento diagnóstico não-invasivo que passa mais informações. Outra vantagem é que os pacientes não são expostos a nenhuma radiação. Por causa da sua importância diagnóstica, a IRM hepática freqüentemente é o método de escolha para esclarecer achados confusos do ultra-som.
Por motivos técnicos, uma IRM tem a vantagem de apresentar contraste de tecido mole superior em comparação à TC e ao ultra-som. A IRM é melhor na caracterização de lesões hepáticas do que a TC, por causa de suas características muito específicas de sinais. Uma IRM hepática normalmente requer imagens dinâmicas após uma injeção em bolus do meio de contraste.
A introdução de agentes de contraste específicos para as células hepáticas melhorou ainda mais o contraste entre o parênquima hepático e o tecido extra-hepático ou maligno em lesões focais. Além disso, até as lesões bastante pequenas com um diâmetro abaixo de 1 cm podem ser detectadas. A Bayer Schering Pharma desenvolveu um meio de contraste com gadolínio que – por causa de suas propriedades estruturais – é captado especificamente pelas células hepáticas (os hepatócitos) e, assim, se acumula em tecido hepático saudável. As lesões sem funções de células hepáticas, ou com função mínima (como cistos, metástases e a maioria dos carcinomas hepatocelulares), não são realçadas. Isto aumenta o contraste, facilitando a detecção e a localização das lesões em comparação com o tecido hepático saudável. Assim, ela contribui para uma melhor caracterização, ou seja, para distinguir lesões benignas e malignas e para diagnosticar o tipo exato de lesão.
Opções de tratamento do câncer hepático
As opções de tratamento do câncer hepático são limitadas e dependem do estágio no qual o câncer chegou. O câncer hepático normalmente é detectado tardiamente porque ele costuma causar sintomas apenas nos estágios avançados.. Diante disso, existe uma grande necessidade por métodos confiáveis de diagnóstico inicial e novas opções de tratamento.
No momento, a única chance de recuperação é uma ressecção hepática cirúrgica. Entretanto, apenas aproximadamente 15% dos pacientes são passíveis de operação. Se todo o fígado for removido, deve ser realizado um transplante hepático subsequentemente. Os pacientes não cirúrgicos podem receber radioterapia, quimioterapia ou injeção de etanol.


