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Esclerose Múltipla

Esclerose Múltipla – Uma Doença Neurológica Crônica

Fig.1: Na EM, a transmissão de impulsos nervosos é comprometida porque as fibras nervosas e as bainhas de mielina são destruídas

Fadiga, comprometimento visual, dormência, tontura, uma sensação de formigamento nos braços e nas pernas - a maioria de nós apresenta esses sintomas de tempos em tempos e as interpretamos como sinais de estresse. Mas para 2,5 milhões de pessoas ao redor do mundo, eles marcam o início de uma doença crônica devastadora - a esclerose múltipla, ou EM. As estimativas sugerem que 350.000 pessoas na Europa e 400.000 dos EUA sofrem de EM. Ela é a doença neurológica mais comum em adultos jovens, afetando duas vezes mais mulheres do que homens. Tanto no hemisfério norte quanto no sul, a incidência da EM aumenta conforme nos deslocamos do Equador para os pólos. Assim, a EM é comum no norte da Europa, mas é rara no Japão e em outros países asiáticos.

EM – A transmissão dos impulsos nervosos é comprometida

Embora as verdadeiras causas da doença continuem nebulosas, sabemos que a EM pode ser ligada a uma reação auto-imune dirigida contra as próprias estruturas corporais do sistema nervoso central. Isto destrói as bainhas de mielina que cercam e protegem as fibras nervosas - com resultados graves. A transmissão dos impulsos nervosos é comprometida, provocando vários sintomas, por exemplo: comprometimento da visão, espasmos, parestesia, problemas de fala e até declínio cognitivo.

Necessidade urgente para diagnóstico precoce

A maioria dos pacientes sofre da forma recorrente-remitente da EM, na qual os sintomas ocorrem repentinamente, duram dias, semanas ou mesmo meses, e depois desaparecem por completo ou parcialmente. Alguns desses pacientes nunca voltam a apresentar uma outra recidiva. Mas em 80% de todos os casos, a doença progride com agravamento dos sintomas entre recidivas individuais.

As pessoas com EM recorrente-remitente podem migrar para um curso progressivo crônico da EM, no qual os sintomas são constantes, não melhoram e podem se agravar progressivamente. Essa forma da doença é chamada "EM progressiva secundária". Outros 10 a 15% das pessoas apresentam a chamada EM progressiva primária, na qual a doença avança constantemente desde seu início sem apresentar remissão.

Normalmente, o diagnóstico da EM recorrente-remitente clinicamente definida exige que ocorram dois episódios de sintomas neurológicos atribuíveis ao sistema nervoso central. Para os pacientes, isso pode significar um longo período de incerteza sobre sua condição exata. "No começo, eu tive visão dupla. Dois anos depois, um lado do meu corpo ficou paralisado. Só então fui diagnosticada com EM", disse Marion Husterer, uma paciente com EM da Alemanha. No entanto, técnicas modernas de exame de imagens, como a ressonância magnética (IRM), já comprovaram ser bastante úteis para o diagnóstico precoce da EM imediatamente após o surgimento dos primeiros sinais.

Exame de imagens por ressonância magnética – Importante para o diagnóstico precoce da EM

Além de ajudar na exclusão de diagnósticos alternativos (como acidente vascular cerebral, distúrbios emocionais, doença de Lyme, síndrome de fadiga crônica, fibromialgia e outras doenças auto-imunes), a IRM também pode evidenciar lesões compatíveis com EM no cérebro. Além disso, as lesões de EM também são encontradas na maioria de pacientes que tiveram um primeiro surto, indicando seu risco de desenvolver EM clinicamente definida.

Essa descoberta levou a uma revisão dos Critérios Diagnósticos de McDonald para a EM em 2005. Os critérios revisados permitem o uso da IRM para estabelecer um diagnóstico mesmo na ausência de sintomas clínicos indicando um segundo surto de EM. Uma segunda IRM é suficiente para fazer o diagnóstico; esse segundo exame é comparado com uma IRM de referência efetuada pelo menos 30 dias após o início de sintomas, demonstrando uma lesão adicional na IRM compatível com EM. Alternativamente, a disseminação da doença com o tempo pode ser estabelecida com a detecção de uma lesão com realce de contraste pelo menos 3 meses após o evento clínico inicial.

Opções de tratamento – Terapias imunomoduladoras

“Ser diagnosticada com EM foi um verdadeiro pesadelo pra mim. Chorei muito e só conseguia me imaginar numa cadeira de rodas,“ disse Marion Husterer. Mas embora a esclerose múltipla ainda seja incurável, existem medicamentos capazes de desacelerar a progressão da doença. A descoberta das interferonas representa um dos avanços terapêuticos mais importantes para o tratamento de EM recorrente-remitente. Em muitos casos, esses medicamentos podem ajudar na modulação do sistema imunológico para reduzir o número de episódios de EM e minimizar o dano às células nervosas saudáveis.

Nesse meio tempo, resultados de estudos forneceram evidências que suportam a importância de começar o quanto antes a terapia para EM. Eles mostram que, se o tratamento com medicamentos imunomoduladores for iniciado logo após o primeiro surto de EM, ele é capaz de reduzir significantemente o risco de desenvolver clinicamente EM confirmada. Os resultados também demonstraram que os pacientes com tratamento imediato tiveram um comprometimento cognitivo significantemente menor em comparação com aqueles que receberam um tratamento atrasado que foi iniciado após o segundo evento clínico. O tratamento imediato também mostrou retardar o desenvolvimento de lesões cerebrais recentemente ativas.

Esperança e ajuda para os pacientes com EM

"O conselho que posso dar aos pacientes diagnosticados com esclerose múltipla é iniciar a medicação o quanto antes. Isso melhorará sua qualidade de vida", disse Wendy Verbruggen, uma paciente holandesa com EM. A IRM é uma ferramenta importante que auxilia no diagnóstico da doença em um estágio inicial e no direcionamento da terapia.

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